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05 de outubro de 2026

Política

Lula avalia Alckmin para a Fazenda em eventual novo mandato

Proposta ainda está em discussão e busca reforçar a credibilidade fiscal e atrair eleitores de centro após o primeiro turno.

Foto de arquivo de Luiz Inácio Lula da Silva
Imagem de arquivo. Foto: Ricardo Stuckert/PR / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
Publicado em 2 min de leitura

Em resumo

  • Lula avalia Alckmin para a Fazenda em um eventual novo mandato.
  • A proposta ainda está em discussão e prevê que ele mantenha a Vice-Presidência.
  • A iniciativa busca atrair eleitores de centro e reforçar a credibilidade fiscal.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia nomear o vice-presidente Geraldo Alckmin para comandar o Ministério da Fazenda em um eventual novo mandato, segundo duas pessoas familiarizadas com a proposta. A possibilidade, ainda em discussão, busca reforçar a credibilidade fiscal do governo e conquistar eleitores de centro depois de Lula terminar o primeiro turno atrás do senador Flávio Bolsonaro. A Presidência não respondeu a um pedido de comentário, de acordo com os relatos publicados nesta segunda-feira (5).

Proposta para o próximo mandato

Pelo plano descrito pelas fontes, Alckmin permaneceria na Vice-Presidência e também assumiria a Fazenda no próximo ano. A acumulação dos cargos ampliaria sua autoridade sobre a política econômica. As pessoas ouvidas falaram sob condição de anonimato, por se tratar de conversas reservadas.

Alckmin é considerado um político moderado e mantém vínculos com o empresariado, segundo os relatos. Ele governou São Paulo quatro vezes, disputou a Presidência contra Lula em 2006 e comandou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Também se tornou um interlocutor do governo brasileiro com Washington após os Estados Unidos imporem tarifas sobre produtos do Brasil.

Lula já havia cogitado Alckmin para a Fazenda em 2022, mas escolheu Fernando Haddad, do PT, para o cargo. No discurso após o primeiro turno, o presidente destacou a atuação de Alckmin em São Paulo e a própria condução fiscal do governo como argumentos de autoridade no tema.

Pressão sobre a agenda fiscal

A avaliação ocorre após Flávio Bolsonaro superar as expectativas no primeiro turno, contrariando pesquisas que apontavam vantagem apertada para Lula. O desempenho eleitoral de aliados da direita no Congresso também foi associado a uma alta dos mercados na segunda-feira. Investidores avaliaram que um eventual governo de Flávio poderia ter mais condições de promover um ajuste fiscal rápido, com maior apoio parlamentar.

Desde o início do atual mandato de Lula, a dívida bruta do Brasil aumentou mais de dez pontos percentuais do Produto Interno Bruto e chegou a 82,9%, segundo os relatos. O indicador é apontado como uma vulnerabilidade do presidente, apesar da inflação abaixo das médias históricas, do crescimento econômico acima das expectativas, do desemprego em nível recorde de baixa e do avanço dos salários reais.

Segundo as pessoas familiarizadas com a proposta, a escolha de Alckmin poderia atrair eleitores preocupados com a credibilidade fiscal que não pretendem apoiar Flávio, mas estão frustrados com o que consideram uma guinada populista do governo. A definição sobre o comando da Fazenda, porém, ainda não foi anunciada.

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